Rodinhas

Padova é uma cidade universitária. O ateneu, como chamam aqui, faz o grosso da economia da cidade girar. A própria universidade, fundada em 1222, é um grande universo interno, mas os jovens que a mantém viva movimentam ainda o segmento do entretenimento padovano. O spritz, verdadeira instituição vêneta, é bebido por milhares de ragazzi e ragazze nos fins de tarde, no inverno e principalmente no verão. Nossa vizinhança aqui no bairro Portello é basicamente formada por universitários, já que a região é o quartel-general da maior parte das faculdades.

Mas há uma face melancólica nesse contexto animado de almas juvenis a passar para lá e para cá. Como é muito comum na Itália, onde os estudantes precisam se deslocar para encontrar universidades que ofereçam os cursos especificos, o vai-e-vem não acontece apenas dentro da cidade, mas também para fora dela. O Portello, sendo o centro nevrálgico da universidade, é o que sofre mais com o êxodo dos finais de semana. Toda quinta-feira, o movimento de retorno provisório tem início. A melodia mais ouvida então é o ruído árido e constante das rodinhas das malas. Deslizam em carreata sem fim rumo à estação, puxadas displicentemente.

Nos sábados e domingos, as ruas em torno à nossa casa estão vazias e desoladas. No inverno era muito pior — não havia os numerosos grupos de turistas a se movimentar lentamente. Mas ainda assim é triste. O espaço fica então completamente aberto aos traficantes magrebinos que giram na área como hienas em torno da carcaça (o que fazem também durante as noites da semana, mas sem o efeito desanimador de se sentir solitário em meio àquilo tudo).

É possível, agora que estamos aqui já há meio ano, marcar a passagem da semana através do som das rodinhas. Não é harmonioso, melódico, mas é um som que transmite uma sensação. Talvez de solidão. Ou abandono. Nós estamos lentamente (muito lentamente) nos inserindo no contexto. Não pertencemos completamente a ele ainda. | Juliano Bruni


# IMPORTANTE: nossas postagens estão numa periodicidade bastante irregular porque não conseguimos ainda uma estabilidade para podermos nos dedicar a escrever como deve ser, com calma e tranqüilidade. Talvez inclusive a Veri fique ausente de Favole Italiane um período maior. Tentaremos manter o blog sempre ativo, mesmo que com grandes espaços entre as postagens.

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2 commenti

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2 risposte a “Rodinhas

  1. Daniel Ricci Araújo

    Que saudade do Jardel.

    E o pior é que tem tanta gente dispensável que não arreda o pé daqui…

    Hehehe.

    Abraço.

  2. julianobruni

    Bah, Dani… bah. Fala assim não que fico emocionado aqui.
    Fico mesmo.
    Abraço.

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