Salvem Saviano

roberto_saviano1Roberto Saviano tem 29 anos, escreveu Gomorra. Quase 2 milhões de cópias vendidas somente na Itália e traduzido em 43 línguas. Hoje ninguém sabe onde vive Saviano. O escritor e jornalista foi jurado de morte pela Camorra. É escoltado por sete policiais, permanentemente, 24 horas por dia. De tempos em tempos, muda de casa, às vezes precisa fugir para o exterior.

Esse é o preço a pagar por quem desafiou a máfia italiana. O jornalista usou literatura e reportagem para descrever a realidade do crime organizado. O livro fala de mansões dos chefões da máfia, criadas como cópia de Hollywood, de áreas rurais cheias de lixo tóxico dispensado por parte da Europa, de uma população que é conivente e muitas vezes protege esse tipo de criminalidade. O autor descreve como são recrutadas crianças e como as fazem acreditar que a única alternativa de vida seja aquela, de associar-se à máfia, e que o único modo verdadeiro de morrer como um homem de verdade seja o de ser assassinado. Um boss mafioso, hoje preso, disse que Saviano não terá chance: assim que todos esquecerem seu livro, que ele não estiver mais nos jornais ou na televisão, a máfia o matará.

Segue uma declaração de Saviano, dada em 2008:

Penso de haver direito a uma pausa. Tenho pensado, durante este tempo, que ceder à tentação de recuar não fosse uma boa idéia, não fosse antes de tudo inteligente. Achei que fosse muito estúpido – além de indecente – renunciar a si mesmo, deixar-se dobrar por homens de nada, gente que te despresa por aquilo que pensa, por como vive, por aquilo que é na mais íntima das fibras, mas, nesse momento, não vejo alguma razão para obstinar-me em viver desta maneira, como prisioneiro de mim mesmo, de meu livro, de meu sucesso. Vá tomar no cu o sucesso! Quero uma vida! Quero uma casa! Quero me apaixonar, tomar uma cerveja em público, ir em uma livraria e escolher um livro lendo o resumo da capa. Quero passear, pegar sol, caminhar na chuva, encontrar as pessoas sem medo e sem assustar minha mãe. Quero ter entorno a mim meus amigos, e poder rir, e não ter que falar de mim, sempre de mim, como se eu fosse um doente terminal e eles fossem constrangidos a uma chata visita inevitável. Merda, tenho só 28 anos! E ainda quero escrever, escrever, escrever porque é minha paixão e minha resistência e eu, para escrever, preciso colocar as mãos na realidade, me esfregar nela, sentir seu cheiro, seu suor e não viver como se estivesse esterelizado em uma câmera hiperbárica, dentro de uma caserna de polícia – hoje aqui, amanhã longe 200 quilômetros – deslocado como um pacote sem saber o que aconteceu ou o que pode acontecer. Em um estado de confusão e precariedade perene que me impede de pensar, de refletir, de me concentrar, qualquer que seja a coisa a fazer. Às vezes me surpreendo a pensar nessas palavras: quero de volta minha vida. Repito a mim mesmo uma a uma, silenciosamente.” | Veridiana Dalla Vecchia

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2 risposte a “Salvem Saviano

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